Governo da Paraíba


Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira completa 84 anos com marco da humanização nos serviços


Quinta-feira, 28 de junho de 2012 - 18h38

O Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira está completando 84 anos de fundação. Sua missão é prestar toda assistência necessária ao portador de transtorno mental, promovendo seu bem-estar e o retorno ao convívio familiar e social. Em 2011, a unidade iniciou um processo de desinstitucionalização, que já promoveu o retorno de 10 moradores ao convívio com a família.

Este é o caso de dona Antonia Vicente da Silva, de 75 anos, que há pouco mais de um mês foi resgatada pela filha Maria Margarida da Silva do Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira, onde viveu por cerca de 20 anos. “Este processo consiste em uma complexa reorganização sanitária de projetos para a reinserção social das pessoas que permaneceram por longos períodos em instituições asilares”, explicou a diretora geral do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, Ana Tereza Medeiros.

Recentemente, ela foi visitada pela coordenadora do Serviço Social do Complexo, Ana Isabel de Carvalho Correia Lima, na casa onde mora com a filha, na cidade de Bayeux. Ana Isabel ficou impressionada com a mudança no comportamento de dona Antonia. Ela conta que, quando estava internada, sem receber assistência da família, a senhora quase não falava, não queria participar de nenhuma atividade, vivia em depressão.

“É um trabalho emocionante este de recuperação dos laços afetivos. A gente percebe, claramente, a mudança no comportamento dos pacientes quando revêem seus familiares. Os sintomas de loucura, expressados no dia-a-dia do hospital, são substituídos por sentimentos que estavam escondidos, trancados, a exemplo do amor e da afetividade”, comentou.

A desinstitucionalização, que tem com base a Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216/2001), não é feito do dia pra noite. No caso de dona Antonia, por exemplo, levou um ano, desde o dia em que a filha entrou em contato com a instituição, até o momento de retornar pra casa. Foi o tempo suficiente para ela se readaptar a rotina familiar, já que havia ficado completamente abandonada durante duas décadas.

A diretora Ana Tereza explica que a desativação de leitos em hospitais psiquiátricos tradicionais, como a que acontece no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, é um passo no sentido da desinstitucionalização como política atual de governo e representa uma das ações de transformação do modelo hospitalocêntrico (hospital no centro), para um modelo de assistência à saúde mental que não nega a necessidade de assistência à doença mental, mas valoriza, também, a existência da pessoa que necessita desses cuidados.

“Na prática, a busca pela desinstitucionalização é o trabalho da equipe de saúde mental para a inclusão dos “moradores” na sociedade e isso é um trabalho muito intenso, porque exige uma atuação em várias dimensões, além da biológica, como, por exemplo, o trabalho para reativar laços afetivos e sociais junto à família e à comunidade. Fazer com que as pessoas aceitem o parente e o cidadão de volta, sem preconceitos, sem medos e sem estigmas”, declarou.

É o que está acontecendo com dona Antonia. Margarida (38), a filha dela, conta que a mãe adora sair pra passear, principalmente para a feira e que a vizinhança está bem receptiva. “Estou muito feliz por ter conseguido realizar o sonho de retornar de São Paulo para cuidar de minha mãe e agradeço muito a equipe do Juliano Moreira por ter me ajudado nisso”, falou.

No momento, tem mais oito moradores sendo preparados (quatro de João Pessoa; dois de Santa Rita; um de Salgadinho e um de Salgado de São Félix), para deixar a instituição.

Ana Tereza lembra que a inclusão social, para dar fim a uma longa história de abandono dos pacientes, está dentro do grande projeto do atual governo, que tem como um dos propósitos conseguir se aproximar dos indicadores da saúde mental apontados pelo Ministério da Saúde, que instituiu mecanismos seguros para a redução de leitos no país, por meio de serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos: Centros de Atenção Psicossocial (Caps); Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Residências Terapêuticas, etc.

Atualmente, existem 44 moradores no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira. Destes, 19 são totalmente dependentes de cuidados diretos para exercer as atividades diárias e os hábitos de higiene oral e corporal. O tempo de internação dos moradores oscila entre 2 e 34 anos, com tempo médio de 11 anos. Conforme dados dos prontuários, o morador mais recente está internado no serviço desde 2010 e o mais antigo está interno há 34 anos ininterruptos.

A diretora enfatiza ainda que outro trabalho importante desenvolvido no Complexo, no sentido de atender à Política Nacional e Estadual de Saúde Mental, é a diminuição no tempo de internação dos novos casos para que estes usuários também não venham a ser moradores institucionalizados. “Isso envolve um trabalho interno de redirecionamento do modelo de assistência hospitalocêntrico, para outro que reconhece a importância do hospital nas crises, nos surtos, mas que tem também a função de devolver esses pacientes à comunidade e à família”, finalizou.

Serviços – O Hospital Psiquiátrico é um dos serviços ofertados pelo Complexo, que no último dia 23 de junho completou 84 anos. Ainda integram a instituição o Ambulatório Gutemberg Botelho, o Espaço Inocêncio Poggi e o Clifford – Pronto Atendimento de Saúde Mental.

O Complexo oferece ainda oficinas terapêuticas, passeios/caminhadas no campo, passeios extramuros, socioterapia, atividades físicas, participação em datas comemorativas, biblioteca, atividades religiosas, oficinas terapêuticas, futebol.

O pedreiro Francisco Daniel da Silva Filho, de 47 anos, é outro exemplo do processo de desinstitucionalização. Alcóolatra, passou 15 dias no Espaço Inocêncio Poggi, onde tem 16 leitos para os pacientes em sofrimento pelo uso abusivo de drogas.

Ele conta que pediu a mãe para interná-lo porque não aguentava mais a vida que estava levando. “Eu bebia todo dia, e, por causa disso, perdi meu emprego e até já estava dormindo na rua”, conta.  No último dia 21, recebeu alta e estava muito feliz porque ia voltar a morar com a mulher, em Curitiba, no Paraná, onde um emprego já o esperava.

Quem foi buscar Francisco foi a mãe dele, dona Santina Vital de Souto Silva. Emocionada, elogiou o atendimento que o filho teve no Poggi. “Melhor do que isso aqui só o céu”, disse. “Encontrei aqui no Poggi tudo que estava precisando para minha recuperação: assistência médica; diversão e amigos”, disse Francisco.

Estruturado com instalações adequadas, o Poggi oferece, além do atendimento feito por uma equipe multidisciplinar (psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, odontólogos e enfermeiros);  oficinas terapêuticas, onde são desenvolvidas atividades artísticas, como música, pintura, serigrafia, colagem, argila, e ainda podem ser praticadas atividades esportivas a exemplo de futebol de campo, futsal e voleibol.

Clifford – Pronto Atendimento de Saúde Mental – Presta serviços, durante 24 horas, aqueles que precisam de atendimento urgente. Os pacientes são encaminhados do PASM (Pronto-Atendimento em Saúde Mental), de Mangabeira, ou vem do interior do Estado.

Ambulatório Gutemberg Botelho – Criado com o objetivo de reduzir o tempo de internamento nos Hospitais Psiquiátricos, o ambulatório atende, de segunda a sexta,  a todos os usuários da Paraíba e também dos estados do Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Profissionais de saúde – O Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira disponibiliza de um corpo de uma equipe multiprofissional, formada por psiquiatras plantonistas e visitantes; psicólogos; fonoaudiólogos; assistentes sociais; enfermeiros; técnicos de enfermagem; cuidadores; nutricionistas; bioquímicos; odontólogos; médicos do trabalho e clínico geral.

Pacientes – O complexo possui 232 leitos psiquiátricos, sendo 132 leitos masculinos e 100 femininos; 12 são direcionados à internação de adolescentes com transtorno mental associado ou não à dependência química, sendo seis masculinos (Ala Clifford B) e seis femininos (Ala Clifford A); 28 leitos são direcionados ao acolhimento de dependentes químicos adultos, dos quais 16 são masculinos (Espaço Inocêncio Poggi) e 12 femininos (Alas Clifford A e Clifford B); 16 leitos são direcionados ao cuidado de pacientes geriátricos e moradores do serviço; 102 leitos são direcionados aos pacientes adultos do sexo masculino portadores de transtornos mentais não associados à dependência química ou, salvo casos especiais, associados à dependência química (Alas Ulisses Pernambucano e Luciano Ribeiro de Morais); 74 leitos são direcionados à pacientes adultas com transtornos mentais não associados à dependência química ou, salvo casos especiais, associados à dependência química;

História – O Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, foi fundado no dia 23 de junho de 1928, e recebeu este nome em homenagem a um dos pioneiros na psiquiatria brasileira, sendo o primeiro professor universitário a citar e incorporar a teoria psicanalítica em suas aulas, além de ter representado o Brasil em congressos internacionais como os de Paris, Berlim, Lisboa e Milão nos anos de 1900.

Negro e de origem humilde, o baiano Juliano Moreira (1873-1933), contrariou o pensamento racista existente no meio acadêmico de sua época, que atribuía os problemas psicológicos dos brasileiros à miscigenação. À frente do Hospício Nacional dos Alienados do Rio de Janeiro, humanizou o tratamento e acabou com a clausura dos pacientes.

Defendeu a idéia de que a origem das doenças mentais se devia a fatores físicos e situacionais, como a falta de higiene e de acesso à educação. Uma de suas principais lutas foi a reformulação da assistência psiquiátrica pública.

Onde fica e contatos:

O Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira fica na Av. D. Pedro II, nº 1826, no bairro da Torre, em João Pessoa.

Telefones: 3218-7550 (Clifford – Pronto Atendimento de Saúde Mental); 3218-7586 (Hospital), 3218-7561 (Ambulatório Gutemberg Botelho) e 3218-7500 (Espaço Inocêncio Poggi)


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